Me dei um comichão
Espertamente pintei-me o gato de botas à mente
“Ai que vontade de cutucar a Jana!
Ah, deixa pra lá; hoje eu vou ser nobre.”
Em um movimento involuntário franziram-me as sobrancelhas e apredrejei mil ali mesmo
Que coisa! Já disse que hoje eu vou ser nobre!
Descansei-me a cabeça sobre os punhos
E os cotovelos martelei na mesa
Elevei com um fio de nylon o lábio do lado direito enquanto um fino aço me surgiu da mão esquerda para impedir
Nobreza, nobreza! Gritou-me o palhaço.
Balancei a cabeça querendo amistar
Rolei os olhos para os lados para ver o que os demais faziam
Amistando, amistando.
Aí veio-me o que eu já previa:
A obviedade estúpida e crua disfarçada em um rosto prepotente vestida de gestos de uma bailarina gorda
Ah, um gato entrou-me pelo pé,
Atravessou-me o estômago – achei que fosse me sair pela boca
Arrepiou-me a espinha, levantou o rabo
Elevei-me o braço.
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